Se você pedisse para eu descrever a imagem de meus últimos dias eu lhe diria o seguinte:
Está no fim na tarde… Ou seria início da noite? Bem, não sei bem. É como um filme de rolo. São várias fotos passando em alta velocidade criando a ilusão do movimento. É isso. O movimento é uma ilusão. Tudo está parado, parado demais. Olhando de dentro de um ônibus pela janela é a mesma sensação que se tem. São dois universos vizinhos um do outro. É o mundo que passa do lado de fora, são as pessoas do lado de dentro. Mas voltando ao olhar pela janela… Olhar pela janela é como um filme antigo. Aquele lance do “movimento ilusório”. As coisas paradas lá fora se movem rapidamente e parecem imagens. Não sei, é sério demais para uma conversa descontraída.
Meus caros, são muitas as bobagens já ditas (acima, principalmente), mas percebam: voam os dias. Ontem foi segunda. Hoje é terça. O tempo passa tão depressa que já parece que se passaram um tarde inteira enquanto escrevo isso. Não sei. É sério demais para mim.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Fantasia e realidade brigam.
Leave me alone.
Não tenho muito que dizer, eu acho. As coisas continuam iguais. O velho e miserável desfilar de programação social. E qualquer motivo é pretexto. Qualquer motivo é consolo. E eu só quero que tudo isso acabe logo para que eu possa desistir de tudo, poder ir embora logo e voltar para casa de uma vez por todas. Voltar pros meus vãozinhos e para toda aquela obsessão de continuar a esperar o que nunca vai vir. E voltar chega a ser tão arriscado quanto foi a ida. E eu dizendo para mim mesma que tudo bem, num conformismo barato de quem finge que não sabe, mas que toda hora vai lá espiar para ver se é mesmo verdade. Porque já foi. E Sempre vai ser assim. Porque as janelas continuam como antes: bloqueadas. E me resguardam, apesar do desespero e a necessidade em que precisam ser abertas. E tudo para quê? Para a gente terminar caindo na própria armadilha. É só que antes, eu costumava ser aquela que recebia todas as recompensas por bom comportamento e hoje...? Hoje eu só me pergunto em qual espelho foi que aquela lá ficou perdida.
Se possível.
Nessa hora e meia, a gente vai falando do jeito da gente. Os tempos da ingenuidade. Da desatenção. Do não saber de nada. Do susto que se tomou ao se conhecer quase nada. Dos tempos da quixotada. Dos restos de amadorismo. Do amadurecimento. Da raiva. Essas coisas todas que foram transformando a gente. Que hoje tem o mesmo riso, faz a mesma algazarra, gosta de cachaça, etc...Mas, que melhorou o jogo de cintura, aprimorou o físico, desenvolveu o faro. Além de ter aprendido a prender a respiração quando o cheiro não é dos melhores. O concerto é isso aí. Devagarinho vai se levando. Pra no final, a esperança ser posta na berlinda, de novo. Esperança de vida nova. Esperança que pinta, mas já com a certeza de que a gente tem que cavar. Tem que tomar. Na marra. Rindo. Se possível.
Elis Regina.
domingo, 21 de novembro de 2010
Em outras palavras: um dia você cai na real.
Fiquei triste. Ai, desculpa, mas fiquei. O ser humano é cruel, às vezes tenho vergonha de ter nascido humana. Sempre disse que prefiro os bichos, você lembra? Prefiro bicho, que gosta ou não gosta, que lambe ou morde. Um bicho nunca vai dar sorrisinho falso, dar tapinha nas costas e falar mal de você na próxima esquina. Ah, me deixa, eu fiquei triste e me deixa, me deixa, me deixa com minha tristeza num cantinho qualquer do coração.
Todo mundo vai te decepcionar, sabia? Sua mãe, seu pai, seu marido, sua amiga, seu vizinho. Todo mundo um dia vai fazer uma merda federal e ferrar com tudo que você sonhou. A gente tem tantos sonhos, tantas verdades floridas e bonitas. Meu Deus, como eu queria uma vida cheia de cor. Meu Deus, como eu queria uma realidade mais doce. Mas não. A vida é meio amarga, azeda, meio de verdade. Isso assusta, assusta, mas a gente precisa ser forte.
Sabe de uma coisa? Não, você não sabe. Vou te contar. Eu ando tão sensível. Precisando assim de uma palavra suave, de um gesto inesperado - e belo. Você consegue me surpreender de um jeito bom? Diz que sim, preciso tanto de você. Que coisa louca essa: a gente precisa de alguém. Mas, sabe, a gente sempre precisa de alguma coisa que nos coloque no eixo. Ando meio fora dos trilhos, se é que você me entende. Andei pensando na vida - é, sei que isso dá calafrios. Mas percebi que não adianta protelar. Preciso agir, agir, agir, largar essa pureza tosca, maldita, essa pureza pura, bonita e seguir. Eu preciso, por favor, me dê tapas fortes na cara, eu preciso entender que existe uma parcela de gente que é filha da puta, que mente, que engana, que trapaceia. (...)
Já falei tantas vezes: palavra é a coisa mais séria que existe na minha vida. Por favor, não me engane. Por favor, não me enrole. Por favor, não me minta. Quando eu confio, confio de corpo, alma, coração. Não faça com que eu perca essa pureza. Entende? Confiar é se entregar. Dar a palavra é assinar um contrato imaginário: minha alma não vai ferir a sua. Por favor, dê valor para as suas palavras. Por que as pessoas são assim? Por que elas traem nossa confiança? Fico triste, triste. Essa crueldade não é pra mim.
- Clarissa Corrêa -
Fuga.
O amor é o ridículo da vida.
A gente procura nele uma pureza impossível.
Uma pureza que está sempre se pondo, indo embora.
A vida veio e me levou com ela.
Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraíso
que nos persegue,bonita e breve,
como borboletas que só vivem 24 horas.
Morrer não dói.
- Cazuza -
domingo, 14 de novembro de 2010
Realidade.
Sobre cada dia ela se equilibrava nas pontas dos pés, sobre cada frágil dia que de um instante para o outro poderia se partir e cair em escuridão.
Mas ela milagrosamente o atravessava e exausta de alegria e cansaço chegava a dormir para o dia seguinte surpreendida recomeçar.






