segunda-feira, 4 de abril de 2011

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Vem cá, meu bem.. Parece que a gente
nem tá tão bem assim. Talvez o amor
não exista mais pra mim. Talvez eu
nem saiba por que. Eu sei que, todo
esse tempo que eu passei, mudei pra ti.
Das roupas aos lugares que eu costumava ir.
E olha o que sobrou pra mim...



De repente do riso fez-se o pranto.


Não que você me tenha
mentido, mas que eu não mais
creia em você me perturbou
profundamente.

Mesmo que não acredite em contos de fadas.

Ela vem com os olhos de abril
E ele guarda mais incertezas que ninguém falou.
E não basta acreditar que é pra sempre
Que na verdade o tempo não passou
Que é assim que vai ficar
Ninguém perguntou se era melhor pros dois
Deixar como está.

Ela vem com sorriso tão febril,
E ele guarda mais incertezas que ninguém falou.
E não basta relembrar os momentos, as histórias
Como são felizes; Um casal exemplar.
(...)

sexta-feira, 25 de março de 2011

Vou até a prateleira. Se escolho, leio meio página de qualquer coisa. Não preciso falar. Mas escuto. Estou maravilhosamente alerta. Certamente não se pode ler sem esforço esse poema. Muitas vezes a página está decomposta e manchada de lama, rasgada e grudada por folhas fanadas, fragmentos de verbena ou gerânio. Para ler esse poema é preciso ter miríades de olhos, como um daqueles faróis que giram sobre as águas agitadas do Atlântico à meia-noite, quando talvez somente uma réstia de algas marinhas fende a superfície, ou subitamente as ondas se escancaram e delas emerge algum monstro. É preciso pôr de lado antipatias e ciúmes, e não interromper. É preciso ter paciência e infinito cuidado e deixar também que se desdobre o tênue som, seja o das delicadas patas de uma aranha sobre uma folha, seja o da risadinha das águas em alguma insignificante torneira. Nada deve ser rejeitado por medo ou horror. O poeta que escreveu essa página (que leio em meio a pessoas falando) desviou-se. Não há vírgula nem ponto-e-vírgula. Os versos não seguem a extensão adequada. Muita coisa é puro contra-senso. É preciso ser cético, mas lançar ao vento a prudência, e, quando a porta se abrir, aceitar resolutamente. Também, por vezes, chorar; também cortar implacavelmente com um talho de lâmina a fuligem, a casca e duras excreções de toda a sorte. E assim (enquanto falam) baixar nossa rede mais e mais fundo, e mergulhá-la docemente e trazer à superfície o que ele disse e o que ela disse, e fazer poesia.

Um ciclo, um fim, um começo.



Joguei meu coração num caminhão de reciclagem, talvez renovado ele siga mais leve.
Eu sinto um peso nos ombros como se carregasse o mundo nas costas, um rio negro corre em minhas veias ocupando todo o espaço possível dentro do meu corpo. O coração mal se distingue no meio da escuridão que é meu peito, carrego comigo toda uma vida de frustrações e brigas, decepções, desconfiança e irritação. Como o ser humano é agressivo, com uma palavra toda uma ponte de confiança é destruída, com um gesto toda uma história de amor pode chegar ao fim. Tudo devia ser pensado com o intuito de evitar a discórdia e a decepção.

O problema é que ensaiar a vida é impossível, a cabeça esquenta e tudo aquilo que um dia você pensou mas guardou pra si vira arma na cabeça do outro, pedra na mão fechada em punho firme, agressivo. Comigo não funciona esse lance de morder e assoprar, arranhou ta feito, é cicatriz pra toda a vida. Segue enfim a esperança de que um coração reciclado alivie essa cabeça cheia de problemas, de que um coração mais leve me faça viver por mais tempo num mundo tão perdido em palavras afiadas e gestos agressivos. Não me confunda com essas pessoas super sensíveis que choram ou reclamam por qualquer coisa, não sou assim. Apenas cheguei no meu limite. Não tolero mais todas as atitudes e comportamentos das pessoas, não vim ao mundo pra levar desaforo de ninguém, mas nem por isso causo um escândalo toda vez que algo ruim acontece. Observo mais do que falo, porque quem muito fala, pouco diz, quem usa a palavra com freqüência acaba não tendo nada a dizer, nada a acrescentar na vida dos outros. Eu guardo observações do comportamento humano, eu aprendo na base do "Monkey see, Monkey do"... or don't. Sei o que devo ou não fazer e mesmo assim cometo erros, pois continuo sendo humana mesmo sendo mais racional que alguns. O mundo das emoções não é mais parte constante na minha vida, eu sei separar o colorido do preto e branco, nem por isso vivo num filme noir.

Venha coração reciclado, não que você seja descartável, apenas uma nova versão daquele que já bateu no peito, sufocado e negro. Que eu respire mais leve, que eu possa me defender do que me aflige e incomoda, que mesmo que as pessoas continuem agressivas lá fora, que aqui dentro eu possa apenas observar, feito criança no banco de trás do carro vendo a paisagem que passa pela janela durante a viagem... Que o mundo melhore um dia e que as pessoas saibam usar as palavras com respeito, que aceitem críticas e não machuquem tanto uns aos outros. Se esse desejo é utópico ou não eu não sei, as vezes é bom sonhar...


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Começando com a letra 'A'.


Não é o que se pode chamar de uma história original. Mas não importa: é a vida real! 
Acordar de madrugada vindo de outro planeta, sentir-se só; Uma criança num berço de ouro e a ferrugem ao seu redor. Os muros da cidade falavam alto demais.  Coisas que ela não podia mudar, nem suportar.  Ela quis voltar para casa, cansou da violência que ninguém mais via. Viu milhões de fotografias e achou todas iguais.

Conta pra mim o que te fez chorar;
nunca mais quero te ver chorar!
Nunca mais.

Ofereci abrigo, um lugar para ficar; e ela me olhou como se soubesse desde o início que eu também não era dali. E quando sorriu ficou ainda mais bonita. Tinha a força de quem sabe que a hora certa vai chegar. Lágrimas no sorriso, mãe e filha, chuva e sol. Segredos que não podia guardar, e não conseguia contar.

Conta pra mim o que te fez chorar;
nunca mais quero te ver chorar!
Nunca mais!

Ainda ando pelas mesmas ruas. A cidade cresce e tudo fica cada vez menor. Agora eu sei que a vida não é um jogo de palavras cruzadas, onde tudo se encaixa. O que será que ela quis dizer? Cinco letras, começando com a letra 'A'.


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Quando disse na saída,
deixo meu sorriso
disse bem,
até sorrir pra você
não vou sorrir pra mais ninguém
também disse,
o que se deixa é o que permanece
não esqueça essa sou eu,
que agora desapareceu
E se mais não disse, é que sorria
um sorriso que ficasse,
para depois de ter ido
como se nunca partisse,
como se tudo existisse
ah! se eu soubesse,
ah! se você me visse


- Alice Ruiz -