quinta-feira, 30 de junho de 2011


(..) Não, não vai ser nem o ressentimento dos covardes, que cria as ditaduras, nem a fúria dos elementos, que gera a calamidade, que irão impedir o homem de chegar ao seu destino - ai dele! - mesmo sabendo de antemão perdida a grande e fatal partida em que foi lançado. Porque o destino dos homens é a liberdade: liberdade para amar, para optar e para criar; liberdade pura e integral, com a dramática beleza dos elementos desencadeados a que se sucedem céus azuis cheios de luz. Liberdade para viver e para morrer, sem medo. Liberdade para cantar seu canto rouco diante da carne translúcida das auroras. Liberdade para desejar, para conquistar o que não lhe é permitido pela estupidez da convenções e pela reserva dos bem-pensantes. Liberdade para ganir sua solidão ante o Infinito. Liberdade para suar sua angústia no Horto da dúvida e do desespero, e subitamente explodir seu riso claro em pleno Cosmos:
- A terra é azul!

(...)

terça-feira, 28 de junho de 2011

(*) Se é pra ser sincero como não se deve ser, conte comigo. Sempre fui explícito quanto às minhas preferências. Por mais fora de moda que pudessem estar. Nunca quis ser parecido com os cadernos de cultura dos jornais. Não me interessa quais são seus filmes da semana, bandas do dia, livros do mês. Nada de heroismo aqui: talvez eu seja assim mais por preguiça do que por virtude (...)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Days without color.

Ficar bem nem sempre deixa outras opções. (...) É o estágio onde todos os sentimentos já evoluíram para um nada . É o nada que você optou para parar de sentir dor. No início você briga, chora, faz drama mexicano. Então percebe que é cansativo demais manter esse jeito de levar as coisas. Acostuma-se. Não que pare de doer, mas que cai no seu entendimento que às vezes perdemos algo e não há solução. No fim você coloca um sorriso no rosto e finge que é sincero, até que a vida o faça realmente ser.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

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Vem cá, meu bem.. Parece que a gente
nem tá tão bem assim. Talvez o amor
não exista mais pra mim. Talvez eu
nem saiba por que. Eu sei que, todo
esse tempo que eu passei, mudei pra ti.
Das roupas aos lugares que eu costumava ir.
E olha o que sobrou pra mim...



De repente do riso fez-se o pranto.


Não que você me tenha
mentido, mas que eu não mais
creia em você me perturbou
profundamente.

Mesmo que não acredite em contos de fadas.

Ela vem com os olhos de abril
E ele guarda mais incertezas que ninguém falou.
E não basta acreditar que é pra sempre
Que na verdade o tempo não passou
Que é assim que vai ficar
Ninguém perguntou se era melhor pros dois
Deixar como está.

Ela vem com sorriso tão febril,
E ele guarda mais incertezas que ninguém falou.
E não basta relembrar os momentos, as histórias
Como são felizes; Um casal exemplar.
(...)

sexta-feira, 25 de março de 2011

Vou até a prateleira. Se escolho, leio meio página de qualquer coisa. Não preciso falar. Mas escuto. Estou maravilhosamente alerta. Certamente não se pode ler sem esforço esse poema. Muitas vezes a página está decomposta e manchada de lama, rasgada e grudada por folhas fanadas, fragmentos de verbena ou gerânio. Para ler esse poema é preciso ter miríades de olhos, como um daqueles faróis que giram sobre as águas agitadas do Atlântico à meia-noite, quando talvez somente uma réstia de algas marinhas fende a superfície, ou subitamente as ondas se escancaram e delas emerge algum monstro. É preciso pôr de lado antipatias e ciúmes, e não interromper. É preciso ter paciência e infinito cuidado e deixar também que se desdobre o tênue som, seja o das delicadas patas de uma aranha sobre uma folha, seja o da risadinha das águas em alguma insignificante torneira. Nada deve ser rejeitado por medo ou horror. O poeta que escreveu essa página (que leio em meio a pessoas falando) desviou-se. Não há vírgula nem ponto-e-vírgula. Os versos não seguem a extensão adequada. Muita coisa é puro contra-senso. É preciso ser cético, mas lançar ao vento a prudência, e, quando a porta se abrir, aceitar resolutamente. Também, por vezes, chorar; também cortar implacavelmente com um talho de lâmina a fuligem, a casca e duras excreções de toda a sorte. E assim (enquanto falam) baixar nossa rede mais e mais fundo, e mergulhá-la docemente e trazer à superfície o que ele disse e o que ela disse, e fazer poesia.